quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Vida Abundante?


Certa vez Jesus afirmou: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10:10). Como explicar a miséria, a violência e o desamor que têm assolado as famílias nos dias atuais? Teria Jesus falhado em sua missão? Por que encontramos tantas pessoas em condições subumanas?

Embora Deus ame a todas as pessoas – o Seu plano é de fazer o bem, e não o mal –, somos nós os responsáveis pelo destino que damos às nossas próprias vidas. Desejamos a paz de Cristo, mas, caminhando na direção do pecado, continuaremos no caos, vendo imperar o egoísmo e a maldade.

A vida abundante pode ser alcançada. Tudo começa quando cremos que Deus existe e que o seu amor é real. Ao perceber esse amor, a nossa vida é transformada e nossas atitudes mudam – é primeiro em nós que a mudança deve ocorrer –. Com sinceridade, amor e perdão em nosso testemunho de vida a comunidade a nossa volta verá, como que por reflexo, o amor de Deus.

A vida abundante não está relacionada à quantidade de bens que possuímos, mas à nossa capacidade de viver e de repartir com o próximo o amor – o amor é Deus em nós –.

Ao vivermos assim, perceberemos que já não vivemos nós, mas é Cristo quem vive em nós, e que Ele não falhou em sua missão; perceberemos que a vida que vivemos já não mais é uma vida comum, mas, uma vida que vai além da nossa própria vida, uma vida que transforma outras vidas, uma vida com propósito e cheia de realizações, uma vida que vale a pena ser vivida.

Que Deus te impulsione nesse propósito. Que você viva abundantemente! 

Guaraci Vieira

Em 21 de outubro de 2015.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

A semente à beira do Caminho


O Brasil é um país de maioria cristã. Trazemos os símbolos do cristianismo estampados em nossos pescoços, roupas, paredes, etc... Praticamente todas as pessoas conhecem a história do nascimento e da morte de Jesus Cristo. Não é raro encontramos um exemplar da Bíblia Sagrada nas casas e nos comércios. Contudo, uma pergunta nos intriga: Por que não vemos os frutos dessa boa semente?

Ao contar a Parábola do Semeador, Jesus disse que uma parte das sementes caiu à beira do caminho e os pássaros vieram e a comeram. Quando um homem ouve a palavra do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado no seu coração. (Mt 13:4 e 19)

Uma casa se faz com tijolos, cimento, areia e água. Mas, entre ter o material e  dizer que se tem uma casa, há uma grande diferença. O Evangelho traz uma revelação de Deus, uma lógica que precisa ser compreendida. A leitura de textos bíblicos e a sua compreensão são ações distintas.

A lógica do Evangelho aponta para a Graça de Cristo, a revelação da boa vontade de Deus em nos amar. Mais que simplesmente nos amar, Ele nos amou sendo nós ainda pecadores, de onde se infere que esse amor independe do que fizemos ou podemos fazer para Ele, que esse amor não está fundado em nós, mas em Deus. Deus não nos ama porque somos honestos ou bonzinhos. Ele nos ama porque Ele é bom.

A Graça é o grande presente de Deus para o pecador. De fato, o homem, por mérito, não alcançaria a salvação de sua alma. Nunca nossas obras seriam suficientes a nos justificar diante de Deus. Daí Jesus, por seu sacrifício, ter aberto as portas dos céus para nós, os pecadores.

A ausência de frutos decorre das ações de homens e mulheres que simplesmente optaram por dispensar o amor. Agindo em semelhança ao filho pródigo (Lc 15:11-32), dizem a Deus: “Eu também te amo, mas eu quero viver a minha vida; de preferência, longe de você.” Outros escolheram permanecer pecando, na certeza de que o inabalável amor de Deus não tem fim. Essas respostas apontam para a semente que foi roubada, aquela que caiu à beira do caminho, uma semente que não brotará. Um coração que não compreende o sentido do amor não consegue correspondê-lo.

Ao contemplarmos a Graça, ocorre a renovação da nossa mente, a semente encontra solo fértil. O amor de Deus nos leva a, despretensiosamente, mudarmos de atitude, e essa é a lógica da Graça. Não faz sentido respondermos com ódio, egoísmo ou rancor a alguém que, mesmo sabendo quem somos, insiste em nos amar sem exigir nada em troca.

Portanto, é inútil tentar se justificar diante de Deus. Permita que a Graça opere o milagre e o mundo verá os frutos do verdadeiro cristianismo.

Que Deus te abençoe.

Guaraci Vieira

Em 22 de julho de 2015.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Pés Sujos


(João 13:1-17)

Mesmo caminhando ao lado de Jesus, seus discípulos sujaram os pés. Nem sempre nos sujamos por inteiro, nem todo pecado é voluntário, mas, de regra, diariamente precisamos nos lavar.

Jesus sai em socorro daqueles a quem ama. Ele não perguntou o porquê de eles estarem sujos, não era essa a prioridade. Jesus os serviu, limpando a sujeira que os impregnava, isso era o necessário.

Hoje, muitas pessoas são excluídas de nossas comunidades de fé porque estão com os pés sujos. Pessoas de boa índole, de bom coração, mas que, na caminhada, por alguma desventura, pisaram fora da trilha e sujaram seus pés.

Não podemos fazer vista grossa ao pecado, mas a existência do pecado não pode ser motivo suficiente a nos afastar do pecador. Mesmo sabendo que entre os discípulos estava aquele que o trairia, Jesus lavou os pés de todos eles. O próprio Cristo disse que não veio para julgar, mas para salvar (Jo 3:17).

Não julgar, não desistir de ninguém e servir, essas são atitudes que se espera dos cristãos. Somos chamados para estender a mão e ajudar aqueles que estão caídos a se erguerem, oferecendo a eles uma nova oportunidade. Ao lavar os pés uns dos outros, evitamos que a sujeira do pecado possa causar feridas e as feridas mutilações no corpo – corpo de Cristo.

Que Deus nos ajude nesse propósito.

Guaraci Vieira

Em 12 de junho de 2015.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Barro e Oleiro



Certa vez, o profeta Jeremias foi conduzido pelo Senhor a uma olaria. Chegando lá, eis que o oleiro estava fazendo a sua obra sobre a roda. (Jr 18:1-6)

O oleiro, como todo artista, é um sonhador. Ele pega o barro e o amassa, o centraliza na roda e começa a moldá-lo, dando forma a algo que antes só existia em seus pensamentos. Somente ao final do processo é que se saberá se a peça criada será uma peça comum, como um jarro ou uma panela, ou uma peça fina, um vaso ornamental.

A dinâmica do oleiro nos remete a Deus, quando, no início, do pó da terra, moldou o barro e criou o homem. A Bíblia revela que Ele nos fez vasos e que se alegrou com a obra que criara. Ele disse: “Isso é muito bom”. A impressão do Artista em nós fez do barro uma obra prima.

Em muitas situações, na olaria da vida, somos o barro, precisamos ser amassados para termos a consistência ideal, além de não podermos ir ao fogo trazendo em nós impurezas; quanto à forma que teremos, devemos ser a expressão do sonho de Deus e não a do nosso próprio sonho. Porém, em outras situações, sobressaltam os traços do Artista na obra e assumimos a posição de oleiro, a nós compete decidir sobre o destino que daremos à nossa própria vida. Realmente, possuímos capacidade criativa, construímos famílias, trazemos à luz filhos, moldamos vidas...  

Contudo, não raras vezes, os sonhos não se realizam, o avião não decola, o leite azeda, o vaso moldado não corresponde ao planejado, quando não, se esmiúça em nossas mãos. Não é regra, mas, acidentes acontecem inclusive na vida dos cristãos. Então, o que fazer quando o fracasso se avizinha?

Na olaria, Jeremias presenciou o momento em que isso aconteceu – um vaso se quebra ainda sobre a roda – e como o oleiro tratou a situação: o oleiro “tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer.” (Jr. 18:4)

Assim, se o dia mal se apresentar e o sonho desmoronar, não se desespere, não se constranja em retornar ao início. Como um oleiro, não descarte os pedaços, mas junte-os e os amasse novamente, as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã. A cada dia o Senhor nos dá a oportunidade de começarmos de novo, afinal, o fracasso não nos alcança quando caímos, mas quando nos recusamos a nos levantar. (Pv 28:13)

Que o Senhor renove as suas forças.

Guaraci Vieira

Em 13 de maio de 2015.

domingo, 5 de abril de 2015

O que eu tenho é tão pouco


Na vida do cristão, todos os momentos são propícios ao aprendizado. Seja qual for o local onde nos encontramos, se estivermos atentos, poderemos ouvir a voz de Deus.
Em Mc 6:30-41, Jesus ensinava a multidão em um deserto. Como a tarde ia chegando e o povo ainda não tinha se alimentado, uma questão foi proposta aos apóstolos: Como alimentar a multidão?
O Senhor chama os seus fieis de “sal da terra” e de “luz do mundo”. Diante disso, o mundo espera algo de nós, ele nos pede alimento – para a alma –, ele nos exige demonstrar o sabor sal e o brilho da luz.
Atentando apenas para o que se via, os discípulos sugeriram a Jesus que dispensasse a multidão. Quando somos confrontados por um mundo que nos pede solução, buscamos entregar uma resposta construída a partir das nossas próprias forças, isso tem sido frequente entre os cristãos. 
Jesus avança e tenta conduzir a discussão para a esfera espiritual: “Dai-lhes vós de comer.”
A partir do momento em que o Espírito Santo passou a habitar em você, você tem condições de oferecer ao coração faminto o Pão, o alimento que sacia a fome da alma e que é vendido sem preço àqueles que não têm dinheiro.
Uma vez que é no plano espiritual que as questões são, primeiro, decididas, a resposta, no plano físico, pode até parecer loucura: “cinco pães e dois peixes são suficientes”. Jesus pede que o povo se assente em grupos, em seguida, agradece a Deus pelo alimento e, por fim, começa a repartir os pães e os peixes que lhe foram confiados. Veja que Jesus não os multiplica, mas os reparte.
Quantas vezes olhamos para nós mesmos e não acreditamos que o que dispomos é o suficiente? Não espere que aquilo que você possui se multiplique em suas mãos para, então, obedecer ao comando do Senhor. No momento em que repartimos o pouco que temos é que o milagre acontece.  
Celebre a Deus pelo que você possui. Um pouco é o suficiente para a realização do milagre.
Um grande abraço,
Guaraci Vieira


Em 5 de abril de 2015.